A balsa estava parada na orla da Baía de Guanabara esperando os passageiros embarcarem rumo à uma pequena ilha no interior do Rio de Janeiro. Para chegar nessa barca é preciso atravessar a Praça XV, um espaço público que abriga algumas das construções antigas e suntuosas, bem parecido com um cenário de uma novela de época. Rio saca o celular do bolso de uma bermuda, abre o aplicativo da câmera e começa a gravar seu rosto na frontal com um leve sorriso no rosto, satisfeito por estar ali e fazendo o que prometia: me mandar fotos e vídeos dos lugares por onde passava. No vídeo, depois de mostrar o rosto moreno e lindo, ele vira a câmera para a de trás e a primeira imagem é a do chão de granito áspero e concreto misturados, no áudio só escuto o barulho do chinelo batendo, compassadamente, no chão liso que alicerçava a praça, o celular se levanta e abre um horizonte paradisíaco e novelesco. Duas construções antigas beiravam a orla da baía de Guanabara. Aqui, um adento: é engraçado ...
Um parapeito de concreto puro e quente, devido a exposição direta ao sol, resguarda as pessoas de atravessarem ou caírem sobre uma fonte que dá para uma das visões postais de São Paulo: um jardim milimetricamente projetado para ornamentar e recepcionar as pessoas e suas câmeras de celulares sedentas por selfies. Aquele espaço é ocupado de várias maneiras, há quem esteja ali de passagem, só admirando, ou andando de skate, ou lendo um livro, ou visitando O Jardim do Ipiranga era a minha visão enquanto esperava o “date” que tinha marcado para aquele dia 15 de novembro, e, enquanto esperava a minha mente viajou para séculos atrás. (...) Há duzentos anos um nobre português, vindo com sua família da Europa fugido das tropas napoleônicas, estava viajando por São Paulo para assuntos e compromissos reais quando recebe da sua esposa, Dona Leopoldina, uma carta de cunho urgente. Distante do que podemos imaginar de uma carta da esposa para o marido, e, descartando declarações de amor e...