Cantor
brasileiro, abaixo dos 30 anos, que faz sucesso com músicas que lembram fracassos
amorosos, platonismo, indecisões e desilusões. Recentemente ele lançou uma
música que fala sobre “amar como um
idiota ama”, e, como fã escuto o álbum constantemente e essa música já
coube como um bom moletom velho e largo em dias frios a pessoas para qual eu já
me apaixonei. Mas até então ela não tinha caído como que certeiro para uma
pessoa, reafirmo: Até então!
Recentemente
eu tenho saído com o Sr. Luz, uma paixão esquecida no bolso que decidi trazer à
tona novamente quando reencontrei ele por aqui em São Paulo. Ele era uma
personagem que estava como coadjuvante por um bom tempo, mas recentemente se
transformou em protagonista por motivos óbvios: o carinho mútuo e a carência
que envolve a solidão paulistana. Um rapaz também abaixo dos 30 anos, de
estatura mediana, moreno, olhos castanhos escuro, sorriso alinhado e extremamente
lindo. Fora esses adjetivos ele soma aos fetiches do capricorniano: ambicioso,
destemido, aventureiro, com a formação acadêmica impecavelmente invejada e bem
colocado social e profissionalmente.
Mas pasmem!
Estamos amigos e esse cenário não tende a mudar.
Mesmo sendo
uma pessoa tão nova o Sr. Luz soma no cartório da Cidade de São Paulo dois
documentos que não são comuns nessa tenra idade: uma de casamento e outra de divórcio,
ambos com o mesmo homem. Uma relação que começou urgente e terminou da mesma
forma, tão igual como o texto que separa nessas linhas as palavras “casamento”
e “divórcio”. Os desgastes de uma relação madura atingiram o cotidiano dos dois
rapazes tão novos que a decisão veio por meio de desentendimentos, mentiras e até
traição. E desde o término do casamento o Sr. Luz tem se aventurado das mais
diversas formas, como se o casamento o tivesse prendido de algum jeito, nesse
sentido as decisões atuais tendem a baladas, bares, encontro com amigos,
eventos culturais, teatro, cinema e saltos entre aplicativos de relacionamento
que proporcionam encontros dos mais diversos tipos com as mais variadas pessoas.
Mas confesso que não lembro do Sr. Luz tão preso assim.
Entre idas e
vindas estou eu, uma personagem que também se tornou coadjuvante na sua
história e que hoje passa a ter cenas esporádicas no seu cotidiano. Não é
sempre, mas quando há uma brecha na sua agenda lotada de trabalho e estudos eu
estou lá, seja num bar, num teatro, num passeio simples da Avenida Paulista ou
até mesmo num café. Mas nesses momentos eu confesso que incorporo o papel de um
protagonista e simplesmente finjo ser um para que a história seja contata por
mim e não por uma terceira pessoa.
O Sr. Luz é um
sonho de consumo para esse capricorniano que escreve. A minha ansiedade
vislumbra na sua pessoa um possível pretendente que poderia proporcionar
diversos momentos que somariam numa história digna de filmes e causaria inveja aos
amigos do interior, e, também um colírio para os parentes em festas
comemorativas como as do final de ano e aniversários dos primos menores.
Por favor, não
se iludam comigo, só eu posso ser capaz de criar essa “fanfic”.
Na
quinta-feira que antecedeu o feriado da semana santa tivemos um encontro na
OSESP, Sr. Luz e eu, para assistirmos ao concerto da Sala São Paulo. Um evento
que reuniu parte da elite artística e endinheirada paulistana para prestigiar
ao maestro e seu violoncelista conduzir uma orquestra com mais de cem pessoas.
O concerto estava previsto para iniciar às 20h30 e combinamos de nos
encontrarmos na estação Júlio Prestes às 20h em ponto para irmos juntos para o
espaço que é logo ao lado da estação. Só que ocorreu de não dar certo, o trem
que o Sr. Luz entrou demorou e ele não conseguiu chegar a tempo para nos
encontrarmos, então fui sozinho para a OSESP, e, naquele espaço que abriga uma
das mais imponentes arquiteturas de São Paulo fui adentrando e procurando o meu
lugar que já estava reservado.
Não estava
muito lotado e isso facilitou para que ficasse vago a fileira na área elevada
que estava acomodado. Enviei uma mensagem para o Sr. Luz que ainda não tinha
dado um sinal de vida e meu celular também não ajudava com o sinal de rede de
internet. Quando começou os primeiros 8 minutos, que seria uma espécie de aquecimento
da orquestra desisti e fitei meus olhos e pensamentos na apresentação que
iniciava. Tudo em vão... fiquei pensando constantemente se ele havia desistido
de vir no meio do caminho, visto que já estava atrasado mesmo, ou se haviam
barrado ele na entrada, pois já tinham iniciado a apresentação.
Na
apresentação que seguiu e me permiti pensar na vida e também as histórias que
tinha vivenciado até então. Por um breve momento eu viajei tanto que cheguei à
cidade de Lorena, onde o Sr. Luz e eu nos conhecemos. Eu já tinha concluído a
faculdade e estava trabalhando nas coordenações de curso da mesma instituição
quando me aventurei no aplicativo do Tinder.
Entre um perfil e outro dei “match” com
o Luz. Decidimos então conversar... entre papos e fotos trocadas já tínhamos
liberdade e intimidade suficiente para que pudéssemos nos aventurar em um sexo
casual.
Na época ele
dividia uma casa com mais seis meninos, numa república que não ficava distante
da faculdade que trabalhava, mas ficava distante da que ele fazia. A USP, onde cursou
engenharia, ficava mais ou menos a cinco quilômetros dali, distante, mas não
impossível de chegar. Os meninos não estavam em casa, era tempo de férias, e
era final de semana, o que facilitava marcar um encontro. Ele me passou o
endereço, o horário e inventei uma desculpa para os meus pais de que iria
dormir na casa de uma amiga que cursou história comigo.
Tudo isso
aconteceu muito rápido! À la Sr. Luz.
Não era um
lugar fácil de se encontrar, fui costurando as ruas do centro da cidade de
Lorena procurando a república que ele morava, aos poucos fui me orientando e
cheguei a tempo no horário que tínhamos marcado. Ele já me esperava no portão
da casa... um frio tomou conta da minha barriga e uma tensão ficou pairada no
meu ser até que ele acenou para mim e fomos juntos para dentro da casa. A minha
boca secou, respondia com dificuldade as poucas perguntas que ele me fazia e
num diálogo monossilábico fui entrando na casa dele. Então quando já estávamos entrando
na sala, ele terminou de fechar a porta e um beijo rápido e ardente aconteceu.
Depois de um minuto mais ou menos o Sr. Luz percebeu que a minha boca estava
seca e ofereceu um copo de água. Eu prontamente aceitei, estava precisando para
poder tomar fôlego de um beijo que tinha sido usurpador.
Bebi a água
como se fosse em um só gole e voltamos para o momento onde tínhamos parado, até
ali foi tudo muito intenso. A roupa em poucos segundos já estava no chão e o
corredor da casa ficou pequeno porque logo estávamos no seu quarto onde havia
um guarda-roupa simples, uma cama de solteiro e uma mesa de estudos com alguns
livros abertos e papel e caneta usados. Ele fechou a porta e fomos para a cama.
Não tínhamos
conversado sobre qual posição ficaríamos naquela noite, mas como tudo aconteceu
tão rápido deixamos o desejo falar mais alto e o Sr. Luz decidiu, nos gestos e
na carícia, que eu seria o ativo no sexo. Entre preliminares e penetração o Sr.
Luz estava por cima quando em um dos movimentos a cama cede e caímos... sim, a
cama quebrou. A cabeceira da cama foi ao chão e os dois não sabiam o que fazer.
Saímos da cama, nus, e começamos a arrumar o que tinha sobrado pelo chão. Colocamos
o colchão no piso e continuamos o sexo. Voltei a penetrar o Sr. Luz com mais
vontade e ainda com mais tesão, porque quebrar é um feito e tanto, não é?!
Pensando bem,
ela poderia estar prejudicada de alguma maneira e o movimento brusco só agravou
ainda mais a situação. Bem, continuamos...
O corpo que
estava sobre o meu era quente, demonstrava vontade e tesão. Pele morena,
cabelos encaracolados sobre o peito, braços e pernas. A bunda era depilada e
bem delineada. O toque era agradável e fácil de deslizar, dava pra sentir o
suor quente transpirando pelas costas e caindo sobre o meu corpo enquanto
bombeava. O odor era quente, exalava um perfume próprio, já que ele não tinha
passado nenhum perfume.
Quando fecho
os olhos ainda consigo sentir o cheiro do seu corpo, perfeitamente.
O meu tesão
era mais do que o resumo do seu corpo, estava em olhar ele sentindo prazer.
Fechando os olhos enquanto deslizava sobre meu pênis. Entreabria a boca
buscando respiração mais profunda, tentando dar conta daquela vontade de ser o
que até então não tinha sido, submisso à dor e ao prazer ao mesmo tempo. E foi ali,
de novo em cima de mim, que ele gozou.
Ele gozou...
eu não! Então parou no ato e não me deixou continuar. Sem explicação seguimos
com uma programação improvisada. Macarronada e uma noite de sono. Na manhã
seguinte, logo cedo, peguei as minhas coisas e também a minha vontade e fui
embora para casa. Só que no bolso guardava, além da minha vontade de gozar, uma
paixão por aquele que tinha sido o meu primeiro passivo.
Essa lembrança
toda aconteceu em uma única partitura da orquestra que acabara de se
apresentar. Voltei dessa lembrança com o público aplaudindo alto e com força,
talvez se isso não tivesse acontecido eu estaria ainda preso em Lorena. Arrisquei
a pegar o meu celular que estava na bolsa do lado e, timidamente, desbloqueei a
tela e lá estava a mensagem do Sr. Luz. Tinha conseguido entrar e estava na
poltrona que tinha reservado. Combinamos de nos encontrar no intervalo após o
primeiro ato.

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